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sobre meninas

Estou lendo o Segundo Sexo de Simone de Beauvoir e me deliciando. O conteúdo é maravilhoso e a tradução acompanha o prazer. Fato é que talvez algumas das idéias do livro estejam defasadas para nossa época (nem posso defender isso já que me encontro bem no início de sua leitura), mas algumas análises são talvez válidas até hoje. Contudo, uma das partes que mais me impactou durante a noite de ontem foi o seguinte trecho:

Ao contrario, na mulher há, no início, um conflito entre sua existência autônoma e seu “ser-outro”; ensinaram-lhe que para agradar é preciso procurar agradar, fazer-se objeto; ela deve, portanto, renunciar à sua autonomia. Tratam-na como uma boneca viva e recusam-lhe a liberdade; fecha-se assim um círculo vicioso, pois quanto menos exercer sua liberdade para compreender, apreender e descobrir o mundo que a cerca, menos encontrará nele recursos, menos ousará afirmar-se como sujeito; (BEAUVOIR, 1949, P. 22).

A mulher é ensinada a agradar o outro perdendo, portanto, sua autonomia, já que precisa do outro para admirá-la. Assume o papel de objeto e não de um sujeito autônomo.

A leitura me fez lembrar de algumas personagens femininas:

  1. E óbvia Gwenhwyfar em “As Brumas de Avalon” de Marion Zimmer Bradley. Em todas as discrições do livro ela é um personagem frágil, objeto das vontades dos homens e um BONECA.
  2. Rosemary de “Suave é a Noite” de Scott Fitzgerald. A personagem é uma atriz… Preciso voltar a ler o livro.
  3. A fala de Georgiana, a personagem principal do filme “A Duquesa”(2008)
    Quando ela é despida pelo duque, seu marido, na sua noite de núpcias. Ele faz uma piada sobre a complexidade de suas roupas e da dificuldade de despi-la. Ela genialmente responde que as roupas são as únicas formas de expressão da mulher, já os homens possuem o direito, a arte, enfim, sua profissão para se expressarem. Aquela fala me marcou muito.

Com certeza virão mais comentários sobre a leitura do livro.