Arquivo de julho \15\UTC 2009

these days – a oitava casa

arte de Ori Toor

por Ori Toor

No dia 8 desse mês o Personare me avisou sobre a passagem de mercúrio na casa oito.

O site Porto do Céu esclarece:

A Casa VIII representa exatamente todos os tipos de perdas emocionais que acontecem conosco. Perdemos a carga de emoções que acumulamos durante toda a vida e da qual precisamos numa certa altura para que nós possamos nos desprender dela e atingir outros objetivos. É a hora de encarar situações que não fomos educados para entender nem para aceitar. Somos educados para ganhar, ganhar e ganhar.

E ainda, segundo o Personare, esse ciclo só acabará no dia 21 desse mês. Faltam seis dias. Quase uma semana.
Ou seja, sofrimento nietzschiano.
A pergunta que fica é se se é forte suficiente para transformar perdas em ganhos.

Espero estar assim no final desse ciclo astrológico dos horrores.

por Ori Toor

por Ori Too

Enquanto isso, Nico faz trilha sonora do momento:

p.s. eu vi o ori too no booooooom

nhááááá

mas gosto de escutar voce falar sobre o que gosta

quer dizer amor pros peixinhos e pras romãs.

sobre meninas

Estou lendo o Segundo Sexo de Simone de Beauvoir e me deliciando. O conteúdo é maravilhoso e a tradução acompanha o prazer. Fato é que talvez algumas das idéias do livro estejam defasadas para nossa época (nem posso defender isso já que me encontro bem no início de sua leitura), mas algumas análises são talvez válidas até hoje. Contudo, uma das partes que mais me impactou durante a noite de ontem foi o seguinte trecho:

Ao contrario, na mulher há, no início, um conflito entre sua existência autônoma e seu “ser-outro”; ensinaram-lhe que para agradar é preciso procurar agradar, fazer-se objeto; ela deve, portanto, renunciar à sua autonomia. Tratam-na como uma boneca viva e recusam-lhe a liberdade; fecha-se assim um círculo vicioso, pois quanto menos exercer sua liberdade para compreender, apreender e descobrir o mundo que a cerca, menos encontrará nele recursos, menos ousará afirmar-se como sujeito; (BEAUVOIR, 1949, P. 22).

A mulher é ensinada a agradar o outro perdendo, portanto, sua autonomia, já que precisa do outro para admirá-la. Assume o papel de objeto e não de um sujeito autônomo.

A leitura me fez lembrar de algumas personagens femininas:

  1. E óbvia Gwenhwyfar em “As Brumas de Avalon” de Marion Zimmer Bradley. Em todas as discrições do livro ela é um personagem frágil, objeto das vontades dos homens e um BONECA.
  2. Rosemary de “Suave é a Noite” de Scott Fitzgerald. A personagem é uma atriz… Preciso voltar a ler o livro.
  3. A fala de Georgiana, a personagem principal do filme “A Duquesa”(2008)
    Quando ela é despida pelo duque, seu marido, na sua noite de núpcias. Ele faz uma piada sobre a complexidade de suas roupas e da dificuldade de despi-la. Ela genialmente responde que as roupas são as únicas formas de expressão da mulher, já os homens possuem o direito, a arte, enfim, sua profissão para se expressarem. Aquela fala me marcou muito.

Com certeza virão mais comentários sobre a leitura do livro.

adoro representações visuais

No Festival Internacional de Dança do Recife de 2007, foi apresentado, no Santa Isabel, o espetáculo Tempo 76 da coreógrafa Mathilde Monnier. O espetáculo falava sobre o cotidiano utilizando o uníssono.
(esse vídeo é de um festival. o espetáculo é logo a primeira coisa a ser mostrada)
Lembro que as coisas que mais me impressionaram na apresentação foram o cenário (um gramado verde sintético), os dançarinos (com corpos totalmente diferentes entre si (gordos, magros, alto, baixos, asiáticos, europeus) e o efeito que a coreografia conseguia. De imediato lembrei de Janaina Calazans na aula falando sobre comunicação de massa:

Segundo Blumer, a massa possui quatro componentes:
1. Seus membros podem vir de qualquer profissão e de todas as camadas sociais.
2. A massa é um grupo anônimo ou, mais exatamente, composta de indivíduos anônimos.
3. Existe pouca interação ou troca de experiência entre os membros da massa.
4. A massa é “frouxamente” (informalmente) organizada e não é capaz de agir de comum acordo e com a unidade que caracteriza a multidão.

Foi uma representação visual de um conceito teórico genial para mim. Pensei “tudo faz sentido agora”.

Hoje faleceu a coreógrafa e bailarina alemã Pina Bausch. Não a conhecia, descobri através do twitter de Dani. No tweet ela linkou um vídeo. Ao vê-lo, levei o sustinho de amor e relembrei o conceito de massa de Blumer. Só que não há como negar, o resultado de Pina é muito mais tocante. E olha que eu só vi por vídeo. Imagina a catarse ao vivo. Através dos movimentos dos corpos do coro de dança se via muito mais imagens sendo formadas do que somente corpos em movimento. Lindo. E não há como não falar da interpretação dela solando. De chorar.

Mas bem, adoro representações visuais de conceitos teóricos ou não.